quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Escolha dos looks - Parte VI

Bergdorf Goodman. Vestido e blazer em rosa profundo de matelassê de seda, 1958. Casamento de Edward M. Kennedy e Virgínia Joan Bennett, Bronxville, Nova Iorque, 29 de Novembro de 1958. » Recepção de Natal, Casa Branca, 13 de novembro de 1961.

Em novembro de 1960 Jacqueline Kennedy considerou confiável Bergdorf Goodman para as necessidades de seu guarda-roupa de primeira-dama, e este conjunto (usado pela primeira vez no casamento de Edward M. Kennedy e Virgínia Joan Bennett) revela alguma coisa sobre a atração por combinações que, para ela, deviam estar sempre presentes.

Externamente, um modelo de simplicidade, o vestido foi criado para trazer o conforto do luxuoso matelassê de seda com que foi feito. O interior deste traje exemplifica a habilidade e o status da Casa de Costura Bergdorf: o vestido é forrado de organza de seda, uma crenolina de nylon dá suporte à linha de quadril e a costura exposta é finalizada com meticulosos pontos à mão. A Sra. Kennedy posteriormente transferiu sua fidelidade a Oleg Cassini e restringiu as criações de Bergdorf aos bailes de gala.


Entretanto, o milenário departamento de roupas da Bergdorf e seu inspirado estilista, Roy Halston Frowick, continuaram a fazer a maioria dos chapéus da primeira-dama.


Jacqueline Kennedy vestiu o conjunto novamente em 1961, Na festa de honra de Natal da Casa Branca. Foram o primeiro casal a posar em fotografias em frente a árvore de natal da Sala Azul, antes de circularem mais fotos deles em outros cômodos da Casa oficial.


MELLON, Rachel Lambert; SCHLESIGNER JR.: Arthur M.; “Jacqueline Kennedy: The White House Years – Selections from the John F. Kennedy Library and Museum”. The Metropolitan Museum of Art, New York; Boston, New York, London. – Sem data, p. 80

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Escolha dos looks - Parte V
























Bergdorf Goodman. Desenhado por Kacqueline Kennedy, com Emeric Partos (Hungria, 1905 – 1975) e ethel Frankau (Estados Unidos, 1880 – 1971). Capa em tecido de seda e crepe georgette de seda, 1961. Cortesia do Museu de História Nacional Norte-Americana. Baile de gala, Washington D.C., 20 de janeiro de 1961.



Jacqueline trabalhou em parceria com Diana Vreeland e Ethel Frankau, o destinto diretor de moda da Bergdorf Goodmans, na criação do vestido de gala. Uma carta sem data para Diana Vreeland, importante editora da revista Vogue, revela seus métodos de criação. “Aqui está a foto [de um vestido de Victor Stiebel] que eu arranquei de uma revista Inglesa. É como eu gostaria que fosse o vestido do baile[...] eu imaginei ele em prata e branco com saia de ‘faille’. Eu também pensei que as linhas são as mesmas usadas por Dior com o top bordado preto. Também gostaria de mudar o longo corpete – assim não pareceria um Dior dessa estação – faria algo mais atemporal”.


Emeric Partos, talentoso estilista da Bergdorf simplificou o conceito. O design da Bergdorf Goodman foi publicado na Vogue de 1º de fevereiro de 1961. Embora o bordado do corpete fosse apropriado para a pompa da ocasião, Sra. Kennedy tinha a característica de velar o bordado com uma blusa de chifon georgette. Isso era uma parte da interpretação da silhueta de cintura não definida que Marc Bohan mostrou em sua recente e nova coleção [da época] de Dior.



A capa, pomposa e romântica, foi uma idéia em cima da hora de Jacqueline Kennedy, que, primeiramente, considerou uma curta jaqueta. O luxuoso acabamento interior, com um esplêndido debrum de seda com abertura para os braços que revela o exato status da Bergdorf. Como não havia mais tecido na Bergdorf para fazer a capa e nem outro em tom parecido, a capa foi coberta por chifon georgette. O resultado difunde a solidez da forma da capa e criou um efeito brilhante. Startey Wood Word, anfitrião do baile, disse que a Sra Kennedy “deixou todos boquiabertos em seu trajeto”




MELLON, Rachel Lambert; SCHLESIGNER JR.: Arthur M.; “Jacqueline Kennedy: The White House Years – Selections from the John F. Kennedy Library and Museum”. The Metropolitan Museum of Art, New York; Boston, New York, London. – Sem data, p. 66

sábado, 6 de setembro de 2008

Escolha dos looks - Parte IV

Gabrielle (Coco) Chanel, Casaco em tweed de lã marfim com botões dourados, Primavera/Verão 1962. Modelo nº 17133. Performance de Flautas e Tambores da Guarda Negra, Regimento Real da Guarda Britânica. Casa Branca, 13 de Novembro de 1963.


A habilidade de acabamento de Chanel – nesse casaco, o espaçamento por igual de carreiras horizontais de pontos (costura) – dão forma e corpo para o modo de tecer – solto – do tweed que a estilista delineou no modo de usar. No plano central que apresenta um quarteto de sua assinatura; botões com cabeça de leões (sugerindo o signo zodíaco que ela dividiu com a primeira-dama) provendo um visual de alto-relevo. Nessa precisa e ilusória rigidez de forma, o casaco relembra o deleite de Chanel nos uniformes, e este também serve como um divertido complemento para o casaco English Harris – tweed - que as crianças Kennedy vestiam na ocasião.

Nesta tarde de Novembro o presidente, a Sra. Kennedy, Caroline e John juntaram 1.700 crianças na área de Washington para a performance das Flautas e Tambores da Guarda Negra. A primeira família assistiu à apresentação de Truman Balcony no segundo andar da Casa Branca. Depois eles saudaram seus convidados e membros do regime no Gramado Sul antes de convidar a todos para a Sala de Jantar para saborear Chocolate quente com Coockies.







Texto e Imagens: MELLON, Rachel Lambert; SCHLESIGNER JR.: Arthur M.; “Jacqueline Kennedy: The White House Years – Selections from the John F. Kennedy Library and Museum”. The Metropolitan Museum of Art, New York; Boston, New York, London. – Sem data. p. 76

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Escolha dos looks - Parte III

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Oleg Cassini. Manteau rosa luminoso de seda e lã Alaskine, 1962. Chegada em Nova Dheli, 12 de março de 1962. » Halston, da Bergdorf Goodman, chapéu em palha rosa queimado com fita de gorgorão, 1962. Modelo nº 4536. Chegada em Nova Dheli, em 12 de março de 1962. » Bergdorf Goodman, chapéu de palha natural, 1962. Modelo nº 4536-1. Lugar das flores no santuário de Mahatma Gandhi, Nova Dheli, 12 de março de 1962.



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guarda-roupas de Jacqueline para sua viagem à Índia e ao Paquistão teve uma iconografia triunfal. Ela escolheu uma paleta muito apropriada inspirada nas miniaturas de Mughal, e intercalou com marfim, a cor que a deixava aparte do plano de fundo colorido da saris (vestimenta hindu feminina). Este modelo de roupa complementar foi usado na chegada ao aeroporto de Nova Dheli, onde ela foi recebida pelo Primeiro Ministro Jawaharlal Nehru e sua filha, Indira Gandhi.

Ela usava um chapéu rosa e um casaco rajá alheio à moda (uma forma que o próprio Nehru aprovou) em uma cor que John Kenneth Galbraith, o embaixador americano na Índia, memoravelmente descreveu como “um rosa radiante”.

Mais tarde, a Sra. Kennedy trocou o casaco por uma versão marfim, com o qual ela usou um grande chapéu de palha. Em mais este suave enxoval de seu programa oficial, o chamado setenta-e-sete-anos-de-idade do país, do presidente Rajendra Prasad até Rashtrapati Bhavan, sua residência.

Depois ela visitou a praia de Jumma River, onde ela colocou rosas brancas no túmulo sagrado de Mahatma Gandhi. “Uma mulher caucasiana mostrar tanto respeito por um povo de terceiro mundo é raro”, como Carl Sferazza Anthony notou (em First Ladies, publicado em 1991) “e ela ganhou uma prece unânime na Índia”.




Texto e Imagens 1-5 : MELLON, Rachel Lambert; SCHLESIGNER JR.: Arthur M.; “Jacqueline Kennedy: The White House Years – Selections from the John F. Kennedy Library and Museum”. The Metropolitan Museum of Art, New York; Boston, New York, London. – Sem data. p. 51-52; 140-141.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Escolha dos looks - Parte II

Oleg Cassini. Vestido de noite em cetim “Duchesse” de seda marfim e bolero no mesmo tecido bordado por Brody com contas de cristal e conchas, 1962. Celebração do primeiro aniversário da posse de Kennedy, Força Armada Nacional, Washington, D.C., 20 de janeiro de 1962. » Jantar de honra para Jacqueline Kennedy, Nova Dheli, 13 de março de 1962.



Sra. Kennedy com Lady Pâmela Hicks, usando o vestido sem o bolero, na India.
Jacqueline Kennedy com Harry S. Truman. O bordado de semi-jóias do bolero foi manufaturado em uma Casa parisiense da época. Givenchy e Balenciaga usavam seus serviços constantemente em uma parceria com vestidos que eram visivelmente encantadores. Cassini fez a mesma coisa aqui, justapondo generosamente os detalhes do bolero, que se inspirou em botehs (espirais de tecido de lã escocês com estampado vivo) contornado por minúsculas conchas peroladas, com um vestido de cetim macio. [...] No vestido, Cassini combinou tradição com modernidade. Enquanto o tecido flutua em lendas antigas de característica imperial, o vestígio de um corte que tende a ser atual na construção, o vestido tem uma luminosidade sem toque, quando Sra. Kennedy se senta para jantar ele pode ser, em uma olhada rápida, comparado ao brilho de uma casaca masculina.

Este é um luxuoso e detalhado conjunto distribuído com cuidadoso requinte. Ela usou o vestido para a festa de arrecadamento de fundos na Força Nacional, em que sua companhia para o jantar foi o presidente oficial Harry S. Truman.













Fotos e texto: MELLON, Rachel Lambert; SCHLESIGNER JR.: Arthur M.; “Jacqueline Kennedy: The White House Years – Selections from the John F. Kennedy Library and Museum”. The Metropolitan Museum of Art, New York; Boston, New York, London. – Sem data, p. 108.



Croquis: CASSINI, Oleg; A Thousand Days of Magic : Dressing Jackie Kennedy for the White House - Rizzoli Intl Pubns – New York, 1995.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Escolha dos looks - parte I

O processo de escolha dos cinco looks definitivos foi muito longo e acho desnecessário citar tudo nos mínimos detalhes, mas quero postar passo-a-passo, para que o leitor entenda como foi minha linha de raciocínio (beeeem resumidamente).

Hoje, começo a compartilhar a primeira triagem que fiz das peças há mais de 13 meses, quando tudo começou. Foram feitas muitas leituras - principalmente traduções- até, finalmente, chegar nos 5 looks definitivos, mas isso ficará para outro dia. Hoje vou me ater a um dos primeiros looks que pesquisei, em maio de 2007.








































































Gabrielle (Coco) Chanel (França 1883 – 1971). Conjunto canelado, de lã preta de Garrigue. Com blusa marfim de cetim de seda, Alto Inverno / 1956. Modelo nº 04637. Mark Shawm fotografia sentada, Georgetown, Washington, D.C., 1958. Tour para Oficiais do Teatro Nacional Americano, Casa Branca, 12 de março de 1963.

Chanel reabriu sua Casa de Costura em 1954, depois de um grande hiato que começou com o estouro da II Guerra. Era sua responsabilidade mostrar que com os “horrores dos anos 50” o mal dominou a produção da Alta-Costura mundial no pós-guerra. Com foco no modismo exagerado e dramático de mudanças sazonais, o mundo estava antitético à filosofia e estética próprias de Chanel, que também dependiam insistentemente dos princípios da fácil e prática elegância. Havia também a certeza de que o ato de vestir deveria ser subsidiário no vestiário.

Inicialmente revelado em sua reedição de suas incompreendidas roupas que foram uma vez tão dominantes, Chanel foi considerada campeã por influentes membros da imprensa Norte-Americana, incluindo Bettina Ballarda da Vogue e Sally Kirklanda da Life, e viveu para ver suas idéias abraçadas pela nova geração de mulheres, O estilo Chanel estava perfeitamente de acordo com a visão que Jacqueline Kennedy tinha dela mesma. Como esposa de Senador ela usava Chanel e continuou a adquirir as despretensiosas, mas luxuosas roupas como primeira-dama.

Este tailleur mostra a idéia de transformção que fez as roupas de Chanel um investimento sensível em Couture. Jackie os vestiu nos sete anos seguintes tanto em eventos diurnos como noturnos.

Na idéia da estilista, a jaqueta é forrada pelo mesmo tecido da blusa, e os punhos da blusa são aplicados na jaqueta; Quando a jaqueta é removida, uma blusa sem mangas é revelada.

Texto e imagens retirados de: MELLON, Rachel Lambert; SCHLESIGNER JR.: Arthur M.; “Jacqueline Kennedy: The White House Years – Selections from the John F. Kennedy Library and Museum”. The Metropolitan Museum of Art, New York; Boston, New York, London. – Sem data, Página 46-48.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Por que Jacqueline Kennedy?

Desde o ano de 2005, após as aulas de “História da Moda” com a professora Maria Cláudia Bonadio o trabalho de Madeleine Vionnet me chamou muito a atenção. Sua forma de trabalhar e suas grandes descobertas em modelagens diferenciadas (visto que seus moldes são muito complexos e usam poucas partes, suas roupas são feitas com peças de tecido grande, com poucas costuras) me chamaram muito a atenção. Tive suas peças como um grande desafio pessoal e profissional.
Entretanto, com a aproximação da data de entrega do Pré-Projeto no ano passado e me sentindo despreparada tecnicamente para trabalhar com um tema tão complexo como os trabalhos de Vionnet, acabei optando por temas que também me interessam muito, como figurino. Não sinto identificação (no sentido de paixão) por nenhum estilista de renome, por isso, o tema “figurino” me agrada muito mais neste sentido.
Apresentei, então, o projeto sobre Figurinos de época, como “E o vento levou”, de Victor Fleming, que marcou a história do cinema com figurinos exuberantes em um pós-Guerra em que a falta de dinheiro prevalecia, e “Marie Antoinnete”, de Sofia Coppola, por ter como figurinistas Carl Lagerfield e John Galianno.


Estava decidida nesses dois temas, a única dúvida era o terceiro, mas, por indicação da professora Ângela May, comecei a estagiar com uma modelista chamada Yara Maria Folmer Johnson e começamos a falar sobre o meu projeto de Conclusão de Curso. O primeiro tema que ela me sugeriu foram estilistas dos anos 20 e 40 (do século XX), devido à dificuldade de modelagem. O primeiro nome que ela citou foi: MADELEINE VIONNET, e em seguida, figurinos de Jackeline Kennedy (No período da Casa Branca) .
Segundo palavras dela: “Você (eu) tem que escolher algo que seja realmente difícil, para poder aprender. ‘E o vento levou’ é bonito, mas é mais dramático do que desafiador. Você vai acabar fazendo corsets e saias com muito tecido e corset você já sabe fazer.” E concluiu: “na minha opinião essas peças irão lhe acrescentar conhecimento para o mercado, você aprenderá coisas para usar na moda atual, o que o figurino de época não lhe trará”.
Depois dessas palavras folheamos três livros muito interessantes, um com croquis de grande criadores nos anos 20, outro sobre as roupas de Jackeline Kennedy e outro sobre Madeleine Vionnet.





A partir daí, voltei à minha idéia inicial do terceiro semestre da faculdade.
As roupas de Jackie Kennedy também me interessaram muito. As modelagens têm muita estrutura e sinto que a minha maior dificuldade, hoje, é em dar volume às roupas. Silhueta justa consigo fazer, mas silhuetas volumosas me trazem muito mais dificuldade.
Outro ponto que me fez repensar os figurinos de “E o vento levou” e “Marie Antoinnete” foi o custo. Fazer peças que são de luxo, que originalmente são feitas em tecidos nobres, com versões mais baratas acabaria depreciando a qualidade do das peças e não estou disposta a passar por esse tipo de frustração.

Imagens: 1º Vestido de Vionnet; 2º Scarlet O'Hara - E o vento levou; 3º Maria Antonieta, filme de Sofia Coppola.